Jovens portugueses tornam-se “jovens a dias” nas mãos do Governo

Written by  //  24 de Julho de 2011  //  Por Perto  //  No comments

António Seguro teme pelo futuro dos jovens portugueses. Os cortes nas indemnizações de trabalho levaram o novo líder do PS a acusar o Governo de tratar os jovens como “jovens a dias” e não com o respeito e dignidade que merecem.

Este domingo foi dia de comemorações na federação distrital do PS/Coimbra. Porém, o ambiente festivo não contagiou as palavras do líder do partido. Revelando-se inseguro em relação ao futuro dos jovens portugueses, António Seguro acusou o Governo de “tratar os jovens como jovens a dias, com menos direitos e nenhumas garantias”.

As críticas do secretário geral do PS tiveram como motivo a “intenção do Governo desrespeitar um acordo assinado em Março passado”. O referido acordo visava incentivar a “contratação de jovens e a criação de mais emprego para jovens”. Porém, embora “diminuindo a responsabilidade dos empresários em caso de necessidade de indemnização”, esse acordo previa a criação de “um fundo de garantia” compensatório dessa mesma redução.

Esse fundo de garantia permitiria manter em equilíbrio os pratos da balança. Assim, o cumprimento deste acordo que o Governo “tem a obrigação de respeitar” seria indispensável para que os jovens portugueses fossem tratados “com o respeito e a dignidade que eles merecem”. Não é portanto de ânimo leve que Seguro encara “a intenção de colocar os jovens portugueses com menos direitos, não lhes dando a garantia desse fundo”.

Assim, apesar de faltar apenas luz verde da Assembleia da República para que a proposta de lei de redução das indemnizações por cessação do contrato de trabalho seja aprovada na generalidade o secretário geral do PS revelou-se firme no seu juízo. Dando expressão à posição de todo o partido, António Seguro garantiu que é com este PS “responsável e firme e que estará na vida política pela positiva” que “os portugueses contam”. Assim, as críticas ao “caminho escolhido pelo Governo” surgem como um elemento fortalecedor do partido que “não se limita apenas a discordar”, apresenta também “caminhos alternativos”.

Não só do PS partem os olhares reprovadores perante esta medida. Também o PCP deu o seu veredicto. Segundo o deputado do partido, Jorge Machado, esta é algo “inaceitável” que não fará mais que “agravar a exploração de quem trabalha e a injustiça”. Para Carvalho da Silva, secretário geral da CGTP, a aprovação súbita desta alteração do Código de Trabalho revela um enorme “desrespeito pelos direitos de participação dos trabalhadores, o comportamento deste Governo mostra que o diálogo é uma farsa”. ”O Governo usa a política do bandido: dispara primeiro e pergunta depois” acusou Carvalho da Silva.

Já para Luís Marques Guedes, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, esta alteração não trará grandes malefícios, pois ”Portugal continuará a ser um país onde as compensações pagas aos trabalhadores ficam claramente acima” da média.

A par desta medida, também a luta contra a corrupção pautou o discurso de António Seguro. Falando por todo o partido, revelou que o PS está disposto a “colaborar com todas as forças políticas do Parlamento, quer à direita, quer à esquerda”. Num apelo a “todas as forças políticas”  para que se unam “forças e propostas”, Seguro declarou  ser “uma prioridade da nossa democracia” acabar com a corrupção em Portugal “de uma vez por todas”.

 

 

About the Author

DezInteressante

Para quem se interessa.

View all posts by

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

128.417 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>