Editorial: os vários cargos de Cavaco Silva

Written by  //  13 de Novembro de 2011  //  Editorial  //  No comments

Paulo Portas tornou-se um eclipse. Não se sabe se defende as Eurobonds – no Parlamento disse que sim, mas o Primeiro agora diz que não – ou se já terá outra opinião.Paulo Portas tornou-se um eclipse. Não se sabe se defende as Eurobonds – no Parlamento disse que sim, mas o Primeiro agora diz que não – ou se já terá outra opinião.

Já todos sabíamos que precisamos de cortar nos gastos, mas juntar na figura do Presidente da República o papel de líder do maior partido da oposição e de ministro dos Negócios Estrangeiros ninguém estava à espera. A surpresa começa quando é o próprio Cavaco Silva, quem diria, a criticar o corte dos dois subsídios na Função Pública. Até à esquerda aplaudiu! O PS agradeceu e começa a sua luta.

Mas o nosso Presidente não se ficou por aqui. Foi ao ministério que dizem ser de Paulo Portas e pegou também nessa pasta. Comenta o que o Banco Central Europeu devia fazer, critica a posição da Europa e dá as suas dicas. Até foi aos EUA falar com Barack Obama. Mas ainda bem, assim não nos esquecemos que a política externa é importante. Nos tempos passados de Luís Amado, verdade seja dita, o ministro falava e mandava umas farpas ao seu Governo. Mas agora, Paulo Portas tornou-se um eclipse. Não se sabe se defende as Eurobonds – no Parlamento disse que sim, mas o Primeiro agora diz que não – ou se já terá outra opinião.

Ficamos na dúvida se vamos eventualmente fazer frente à “Europa”, diga-se a Merkel, ou se vamos cumprir os prazos do empréstimo, leia-se empréstimo e não doação, mas ao mesmo tempo lutar pela Europa e pelo Euro e não deixar que seja tudo feito num gabinete a dois que se decide se Portugal fica no Norte ou no Sul. Talvez Paulo Portas esteja a fazer esses contactos, para os europeus, e daí estar tão silencioso. Já temos saudades, das suas visitas à feira de chapéu na cabeça….

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Diogo Carreira

Sempre sem juízo, numa luta constante pela liberdade de imprensa e de expressão. Jornalista profissional desde 2008, mas com o bichinho da escrita e da imagem desde os gloriosos anos da primária. O gravador em mini K7 transformou-se num iPhone, a máquina fotográfica de rolo é agora uma digital. O papel e caneta? Esses são os mesmos.

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