Do que se lembra de 2011? A história do ano que passou

Written by  //  4 de Janeiro de 2012  //  Por Perto  //  No comments

2011 começou com José Sócrates à frente dos destinos de Portugal e termina com Pedro Passos Coelho a liderar um governo de coligação à direita. Os portugueses apadrinharam a palavra troika ligada a uma cada vez maior austeridade. Os pontos essenciais do ano que passou.

Entre eleições e troca de cadeiras, o país não vai esquecer o numero 78 mil milhoes de euros que no futuro vai ter de devolver aos credores internacionais. Conhecer o ano que passou ajuda a perceber os anos que estão para vir. 2011 deixou algumas recordações e são essas que podemos recordar.

 

Mês após mês Portugal não ia precisar de ajuda era esta a garantia dada por José Sócrates, Primeiro-ministro na altura. O ano começa assim com uma turbulência politica, travada pelas eleições presidenciais afinal o Presidente da Republica não podia dissolver o parlamento.

A corrida tinha já começado em 2010, mas foi este ano que Cavaco Silva voltou a concorrer a Belém. Ao lado de Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor Moura. Cinco candidaturas que acabaram por não conseguir derrotar o novamente Presidente da República. À primeira volta, Cavaco Silva reúne quase 53 por cento dos votos, mais do que em 2006.

No Parlamento, durante a tomada de posse, Cavaco Silva lança uma dura mensagem aos politicos pede lhes transparência e acorda os cidadãos. Forma-se a geraçao à rasca, milhares saem à rua. Os indignados fazem-se ouvir. Do inicio ao fim do ano. Agora até já partiram para uma auditoria cidadã da divida publica. Escolhido mais uma vez Cavaco Silva como presidente os olhos são postos novamente no Parlamento, Sócrates até tinha com quem dançar o tango, PEC atrás de PEC.

Mas já o quarto plano de estabilidade e crescimento, recebe um não de toda a oposição, Sócrates tinha avisado: assim não ia dar mais, bateu com a porta. Portugal ia para eleições. Governo demitido, Governo em gestão. Os juros disparam Teixeira dos Santos não resiste e numa breve notícia na internet desfaz tudo aquilo que o Primeiro-ministro tinha garantido, Portugal é a próxima peça do dominó a cair.

E não foi só Portugal. Sócrates não resiste, perde as eleições. Mas antes ainda negoceia o acordo do resgate internacional. Do ministério das finanças, à sede de quem quis falar com o Poul Thomson e os seus coelgas, durante dias as contas portugueses estiveram abertas para se chegar à conclusão que até 2013 iriam ser precisos 78 mil milhões de euros.

Acordo fechado, Pedro Passos Coelho consegue quase 40 por cento dos votos. Suficiente para ganhar, pouco para a maioria absoluta. Por isso é tempo de dar a mão ao CDS para percorrer um caminho que todos sabiam difícil. O acordo politico é assinado, coligações nas próximas eleições logo se vê, mas por enquanto uma união para fazer Portugal sair da crise onde está.

Nos socialistas prepara-se aquilo a que muitos chamam uma caminhada no deserto e na frente segue António José Seguro. Promete defender o acordo com os credores internacionais, afinal Portugal precisa dos 78 mil milhões de euros. Amigo próximo de Passos Coelho da altura das jotas, Seguro promete apoio ao Governo mas com atenção.

No Parlamento fica Assunção Esteves, pois Fernando Nobre não foi aceite pelos deputados. E como não fica como presidente, não fica como parlamentar. As cadeiras mudam, a Assembleia está diferente. Não foram só as cores do Parlamento que mudaram, o debate é muito mais calmo. A crispação tendeu a diminuir, Passos Coelho já não traz todo o governo para os debates quinzenais e Vítor Gaspar ganha uma tarefa difícil: numa mão a austeridade e noutra aquilo que todos começam a tratar por tu, o memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, para muitos a troika. Já lá dizia Vítor Gaspar que ia precisar de muita sorte.

Sorte foi o que não começou por ter o Governo PSD e CDS. O primeiro murro no estômago vem com a dança dos ratings. A Moody’s atira a classificação de Portugal para o lixo e os portugueses ganham cada vez mais a consciência que o que vinha ai não ia ser nada fácil. Com um presidente social-democrata e uma bancada laranja em maioria, quase se torna verdade o sonho de Sá Carneiro. Mas esse rapidamente se transforma num pesadelo para a carteira dos portugueses. O subsídio de Natal de 2011 ia ser em parte cortado, tudo para tapar os buracos orçamentais deixado pelo governo socialista.

E se as derrapagens não eram suficientes, o segundo murro no estômago de Pedro Passos Coelho veio a seguir: e custa perto de seis mil milhões de euros. Alberto João Jardim tinha deixado contas por pagar e agora a Madeira precisa de um resgate. Mais austeridade em cima de austeridade naquela região autónoma. Colossal foi a palavra usada pelo Primeiro-ministro para falar do esforço que vai ser preciso, que o digam agora os madeirenses com mais impostos e menos regalias.

Tal como Sócrates, Passos Coelho tem de enfrentar uma greve geral, muita contestalção mas ainda nada comparado com o que aparece nas televisões e vem da Europa. O acordo com com o FMI e a União Europeia recebe duas notas positivas, mas as mudanças prometem continuar. Contam-se os portugueses através dos Censos e sabe-se que somos mais. Contam-se as medidas de austeridade e adivinham-se cada vez mais gravosas.

O Governo quer ir para além da chamada troika, ainda que não avança com o aumento da taxa social única: prefere aumentar os horários de trabalho e cortar nos descansos. Fazer a lista do que os portugueses vão sentir é complicado, podíamos falar do IVA, do aumento dos transportes, do aumento da electricidade ou quem sabe dos cortes do subsídio ou do não subsídio da Função Pública.

Mas também podemos lembrar que o TGV já não vai ser feito, a RTP talvez seja vendida, a EDP já o foi! Privatizações, cortes e mudanças em 2012 numa altura em que Portugal tem uma meta muito concreta, para aqueles que ainda acreditam, ter a confiança para pedir dinheiro emprestado em 2013. Mas pelo menos com menos uma dor de cabeça, para a coligação PSD/CDS: o BPN deverá ser vendido.

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Diogo Carreira

Sempre sem juízo, numa luta constante pela liberdade de imprensa e de expressão. Jornalista profissional desde 2008, mas com o bichinho da escrita e da imagem desde os gloriosos anos da primária. O gravador em mini K7 transformou-se num iPhone, a máquina fotográfica de rolo é agora uma digital. O papel e caneta? Esses são os mesmos.

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