Terceira idade, primeiro amor

Written by  //  14 de Fevereiro de 2012  //  Dia dos Namorados  //  No comments

João Jerónimo e Otília Fuzeiro estão casados há 47 anos. De 72 e 67 anos, respectivamente, dirigem um restaurante há 36 anos. Quando os encontrámos, revelaram ao mundo a receita para um casamento duradouro.

Há mais de 40 anos que estão casados. “47”, afirma convictamente João Jerónimo, de 72 anos. Indignada com o engano do marido, Otília Fuzeiro de 67 anos, desmente. “48. Vamos fazer 49 no início do próximo ano.”

Otília conheceu o marido em 1960. Era então uma criada, de apenas 16 anos, cuja missão consistia em servir uma família do Estoril. Durante as férias do Natal e da Páscoa deslocava-se, juntamente com a família a quem prestava serviço, a Azambuja. “Enquanto estava aqui, e tinha de limpar os quartos dos patrões de manhã, vi este rapaz, hoje o meu marido, à porta da Câmara Municipal. Antigamente os rapazes novos estavam sempre lá encostados.”

Não esperando que João viesse a ser o homem da sua vida, Otília dizia sempre à patroa: “oh Irene, tu conheces aquele rapaz? Todos os dias, quando vou sacudir o tapete, o rapaz está a olhar cá para cima. É mesmo feio.” A patroa conhecia João. “Ah, é um bom rapaz. É o irmão da Maria Laura que trabalha na Câmara”, dizia Irene. A partir deste dia, iniciou-se a aventura. “Começámos a conhecer-nos. Ele estava na tropa, mas sabia que eu estava a trabalhar no Estoril e ia lá ter comigo várias vezes”.

Um ano depois ganharam coragem para se unirem por intermédio do sagrado matrimónio. Decidiram casar-se pela Igreja mas, para o casal, não há grandes diferenças entre um casamento pela Igreja ou apenas através do Registo Civil. “Depende de como a pessoa vê quem está a seu lado. Por qualquer um dos meios, a vida depois do casamento torna-se diferente para qualquer pessoa. Não tem nada a ver uma coisa com a outra”, afirma João.

Há 48 anos que encaram a aliança que lhes decora o dedo como “um acto de respeito”. Como um dos principais símbolos matrimoniais, João defende que para se usar uma aliança é necessário considerar “a mulher que está a seu lado como uma companhia para sempre. Não se deve pôr uma aliança só por pôr”.

Poucos dias depois de se casarem, João foi chamado para a pesca do bacalhau, no Canadá. Otília ficou seis meses sem ver o marido. Hoje em dia, em situações deste género, os ferimentos no casamento são quase inevitáveis. Para o casal, a confiança mútua sempre foi a base da relação estável que têm mantido ao longo destes anos. “Fui sempre uma pessoa honesta. Tinha oito dias de casada e era uma jovem com 20 anos. Isto não acontece agora. É muito raro”, desabafa Otília.

Os pais, tanto de João como Otília, sempre apoiaram a relação. Tal como se impunha antigamente, João pediu a mão de Otília aos seus sogros. Juntos, salientam que já aprenderam de tudo. Depois de quase meio século juntos dizem que apenas lhes falta passear mais. “Gostava de deixar o restaurante o mais depressa possível e ir passear a casa dos meus amigos à Madeira. Adorava”, remata Otília.

Juntamente com a mulher, João dirige um restaurante há 36 anos, o “Redes ao Mar”. Enquanto a mulher trata de servir os clientes, João é o cozinheiro da casa. Também no trabalho a empatia que os une tem dado bons resultados. Até para que o número de divórcios diminua exponencialmente João tem uma receita: “Casa que não é ralhada não é governada. Por haver ralho é que as pessoas se separam. Têm de se preparar convenientemente para estas situações quando namoram. Quando casamos temos de assumir os altos e os baixos”.

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Cátia Carmo

Praticante assídua de vários tipos de desporto e amante da escrita, desde os meus 11 anos que decidi lutar para conjugar, profissionalmente, estas minhas duas paixões através de uma só: o jornalismo. Agora estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa vejo, aos poucos, o sonho a tornar-se realidade.

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