Julian Assange apela aos EUA que terminem a “caça às bruxas”
Written by Cintia Costa // 19 de Agosto de 2012 // De Longe // No comments
Julian Assange, fundador da WikiLeaks, discursou este domingo de uma varanda da embaixada do Equador em Londres. Pediu aos EUA para terminarem com a “caça às bruxas” ao seu site e para libertarem o soldado Bradley Manning.
Julian Assange apareceu em público este domingo numa varanda da embaixada do Equador em Londres, pela primeira vez desde que se encontra refugiado nas instalações equatorianas na capital britânica, há dois meses. Entre as palavras proferidas no discurso de Assange encontra-se a expressão “caça às bruxas” que este jornalista e activista australiano utilizou para classificar o processo de investigação ao seu site WikiLeaks, por parte do Governo dos Estados Unidos. “Peço ao Presidente Obama que tome a decisão correcta e acabe com esta caça às bruxas”, apelou. Falou ainda no “respeito pela liberdade de expressão” e pediu o fim da alegada “perseguição” a jornalistas e whistleblowers (fontes que denunciam segredos), que põem em causa as versões oficiais dos governos. “Não pode haver mais conversa fiada de acusar organizações jornalísticas, seja a WikiLeaks ou o New York Times”, afirmou.
Neste comunicado, Assange exigiu também a libertação do soldado norte-americano Bradley Manning, detido numa prisão militar do Kansas e acusado de traição, suspeito de ter fornecido ao site de Assange documentos secretos dos Estados Unidos. O julgamento de Manning deverá começar em setembro, mas o jornalista afirma que “Bradley Manning é um herói”, ao que aplaudiram dezenas de apoiantes, que desde manhã esperavam pela sua intervenção, enquanto eram vigiados por um forte dispositivo policial. Apelou ainda aos EUA para respeitar a liberdade de expressão e parar com a investigação à fuga de informação que culminou com a publicação de milhares de documentos secretos em 2010: “Os Estados Unidos têm uma escolha a fazer: reafirmar os valores revolucionários que estiveram na fundação do país, ou cair no precipício e arrastar-nos a todos para um mundo opressivo e perigoso, em que os jornalistas se calam por medo de acusação e os cidadãos se limitem a sussurrar”, declarou Assange.
“Estou aqui hoje porque não posso estar aí convosco”, disse o jornalista, parecendo dirigir-se tanto aos apoiantes reunidos frente à embaixada do Equador em Londres como ao resto do mundo. “Mas obrigado pela vossa generosidade de espírito”, sublinhou o australiano, acrescentando ter uma “dívida de gratidão” para com o pessoal da embaixada, com o Presidente Rafael Correa e a “pequena nação do Equador” que “corajosamente” tem defendido o seu direito ao asilo político. Julian Assange viveu em prisão domiciliária em Londres até perder um derradeiro recurso contra um pedido de extradição da Suécia, país que possui contra o jornalista um mandato de captura por crimes de violação e agressão sexual contra duas mulheres. No entanto, desde 19 de Junho de 2012 que vive na embaixada do Equador em Londres, que aceitou o seu pedido de asilo diplomático nesta quinta-feira. Porém, vive rodeado de dezenas de polícias britânicos, que este domingo estavam, tanto na rua como alegadamente dentro do edifício, preparados para o deter no caso de transpor os limites do apartamento ocupado pela missão diplomática, considerado território equatoriano. O Reino Unido prometeu deter e extraditar Assange assim que o jornalista saia das instalações consulares equatorianas na capital inglesa, mas o australiano acusou as forças britânicas de invadirem as instalações na quarta-feira: “depois do escurecer, consegui ouvir as equipas de polícia a tentar entrar no edifício pelas escadas de emergência”. Perante esta acusação, Assange acrescentou: “Se o Reino Unido não deitou fora os termos da Convenção de Genebra foi porque o mundo estava a ver e o mundo estava a ver porque vocês estavam a ver”.

















