Hugo Chavéz reeleito presidente

Written by  //  8 de Outubro de 2012  //  De Longe  //  No comments

Hugo Chavéz foi reeleito Presidente da Venezuela pela terceira vez consecutiva. Nestas eleições, realizadas no passado domingo, o seu principal opositor, Henrique Capriles, conseguiu alcançar também um resultado histórico.

Hugo Chavéz ganhou as eleições presidenciais na Venezuela realizadas este domingo, dia 7 de Outubro, com 54,42 por cento dos votos. Isto traduz-se em 7 444 082 votos a favor do actual Presidente da Venezuela, no que acabou por ser a sua terceira reeleição consecutiva. Hugo Chavéz ficará assim mais seis anos à frente da Venezuela, num mandato que começa a 10 de Janeiro de 2013 e termina a 9 de Janeiro de 2019.

A notícia foi dada por Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional de Eleições (CNE), no primeiro boletim oficial lido às 22h00 na Venezuela, 3h30 em Lisboa. “O candidato Hugo Rafael Chávez Frías, obteve 7 444 082 (54,2 por cento) votos. O candidato Henrique Capriles Radonski, obteve 6 151 544 (44,97 por cento). A candidata Reina Sequera obteve 64 281 votos (0,46 por cento). O candidato Luís Alfonso Reyes 7 372 votos (0,05 por cento). Maria Josefina Bolívar obteve 6 969 votos (com 0,05 por cento) e Orlando Chirinos 3 706 votos (0,02 por cento)”, disse Tibisay Lucena, num momento em que estava completa “90 por cento da transmissão” das actas eleitorais. A presidente do CNE voltou a destacar “o comportamento cívico e democrático do povo todo da Venezuela”, no que considerou ser o fim de “uma página brilhante dentro da democracia venezuelana”. Acrescentou que “uma vez mais tivemos um processo eleitoral tranquilo, sem sobressaltos, com a alegria deste povo que decidiu votar massivamente no dia de hoje. Alcançámos uma das mais altas participações que tivemos nas últimas décadas, por isso queremos felicitar especialmente a todas as eleitoras e eleitores que foram hoje votar”.

Por outro lado, destacou o apoio das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas e dos homens e mulheres que trabalharam para que as eleições se realizassem: “Queremos destacar o labor que as organizações políticas fizeram ao longo deste processo, não somente no dia de hoje, mas ao longo de todo o ano, porque nos acompanham no planeamento dos processos eleitorais”, afirmou. Registaram-se 13 677 934 votos válidos e 263 954 votos nulos, o que corresponde a uma participação de 80,94 por cento dos eleitores. Esta participação nas urnas representou um recorde histórico, num país onde votar não é obrigatório, e o número de jovens eleitores que votaram pela primeira vez chegou a um milhão. De imediato, Hugo Chavéz agradeceu aos venezuelanos no Twitter, a mais popular rede social no país: “Obrigada ao meu povo amado! Viva a Venezuela! Viva Bolivar! Obrigada a Deus! Obrigada a todos e a todas”. Naquele momento, já inúmeros dos seus apoiantes celebravam nas ruas. Após a divulgação do resultado oficial era possível ouvir barulho de fogos-de-artifício por toda Caracas.

Henrique Capriles, o principal opositor de Hugo Chavéz, alcançou quase 45 por cento dos votos, obtendo um resultado histórico. O candidato da Mesa da Unidade Democrática conseguiu reunir à volta da sua candidatura várias correntes da oposição, e obteve o melhor resultado de sempre desde que Chávez chegou ao poder, em 1999. Capriles, ex-governador do estado de Miranda, reconheceu a derrota. Foi o primeiro a discursar, na sua sede de campanha, declarando que “Para ganhar, é preciso saber perder”. Acrescentou: “Iniciamos a construção de um caminho e aí estão mais de seis milhões de pessoas à procura de um melhor futuro”, mas pediu “respeito, consideração e reconhecimento pela quase metade do país que não está de acordo com este governo”. Dirigiu-se ainda a todos os eleitores: “Quero dizer-lhes que contem comigo, que estou ao seu serviço, mas também quero dizer aos outros venezuelanos que contem comigo”. Por fim, felicitou Chávez: “Quero desde aqui enviar as nossas felicitações e quero dizer-lhe que oxalá que leia com grandeza a expressão do nosso povo no dia de hoje. Há um país que tem duas visões e ser um bom Presidente significa trabalhar para a união de todos os venezuelanos”.

Às 22h30 (4h00 em Lisboa) Chávez encaminhou-se para o balcão do povo, no palácio de Miraflores, e fez o seu discurso da vitória. O Presidente felicitou “os mais de oito milhões de compatriotas que votaram pela revolução, pelo socialismo, pela independência, pela grandeza da Venezuela, pelo futuro”, e os opositores por terem reconhecido de imediato os resultados eleitorais, de forma democrática: “Foi uma batalha perfeita em toda a linha, uma batalha democrática. Graças a Deus e à consciência do nosso povo não houve nenhum acontecimento hoje a lamentar, não houve nada que manchasse a batalha perfeita e a vitória da Venezuela”. O líder do Partido Socialista Unido da Venezuela espera ser melhor Presidente do que foi nestes 13 anos que já conta no cargo: “Convido-os a que sejamos cada dia melhores venezuelanos e melhores venezuelanas para acelerar a construção da Venezuela potência. Quero comprometê-los a todos e a todas, incluindo os sectores da oposição”. Fez ainda um apelo “a todos os que andam promovendo o ódio, o veneno social, aos que andam sempre negando todas as coisas boas que ocorrem na Venezuela” e convidou-os “ao diálogo, ao debate e ao trabalho conjunto pela Venezuela bolivariana”.

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Cintia Costa

O meu nome é Cíntia Tomaz da Costa, frequento o curso Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O meu objectivo profissional é perseguir uma carreira no jornalismo. Gosto de escrever e ler, mas tenho interesses noutras áreas, como música, dança e desporto, nomeadamente voleibol. Gosto de viajar e conhecer novos lugares, novas pessoas e novos costumes.

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