Líder do PS afirma que troika e Governo não têm consciência da situação do país

Written by  //  16 de Novembro de 2012  //  Por Perto  //  No comments

António José Seguro, secretário-geral do PS, considera que a situação do país é “mais grave” do que a troika e o Governo têm consciência. Em declarações após uma reunião com a troika, o líder socialista defende a alteração do memorando.

António José Seguro prestou declarações na sede do PS esta sexta-feira, numa conferência de imprensa que decorreu após a reunião em que participou de manhã, com a equipa de representantes do Fundo Monetário Europeu, Comissão Europeia e Banco Central Europeu. Estas entidades estão em Portugal para realizar a sexta avaliação do programa de ajustamento. O líder socialista afirmou: “O país está numa situação muito grave. Mais grave do que o Governo e a própria troika têm consciência”. António José Seguro explicou a situação negra do país: “o desemprego não pára de aumentar, há quebra na receita, pode haver descontrolo na despesa” e “as pessoas perdem rendimento, as empresas abrem falência, a dívida pública aumenta para níveis perigosos”.

Acrescentou ainda: “Chegámos a um momento crítico da vida do país”, a nível social, económico e das finanças públicas. “Crítico porque estamos a discutir o principal instrumento de execução do programa de ajustamento para o próximo ano, o Orçamento do Estado, e porque chegaram ao conhecimento público elementos importantes, sinais de alerta, sobre a situação económica, social e das próprias contas públicas”, disse António José Seguro.

Tendo isso em conta, é essencial renegociar o memorando de entendimento, nas palavras do próprio líder da oposição: “O país precisa de negociar as condições do contexto do ajustamento, com mais tempo e menos juros. E temos de definir com clareza uma estratégia nacional de desenvolvimento, sustentável”. António José Seguro sublinhou que “só pelo lado do crescimento económico” Portugal conseguirá resolver o seu problema, ou seja, ”gerar riqueza suficiente para preservar postos de trabalho, diminuir o défice e pagar as dívidas”.

Há, assim, uma necessidade de “mudança”: “da estratégia do custe o que custar, da estratégia da austeridade para outra que crie emprego e a conciliação com o crescimento e a disciplina das finanças públicas”. Segundo o líder socialista, “a austeridade do primeiro-ministro não resolveu nenhum problema”, antes “agravou as condições de vida dos portugueses”. Os portugueses “desejam esta mudança, só o primeiro-ministro a recusa”, afirmou António José Seguro, que delimita um campo de batalha, com a troika e o Governo de um lado, e o PS e o país de outro.

O PS quer “mudar de estratégia e fazê-lo o mais rapidamente” possível, até porque a “margem de manobra agora ainda é mais estreita, por causa da política errada seguida e da teimosia do Primeiro-ministro”, mas os representantes da troika foram “insensíveis” em relação às propostas do PS, segundo o secretário-geral deste partido.

António José Seguro acrescentou que apesar dos “pesados sacrifícios” exigidos, o Primeiro-ministro “falhou nos objectivos fundamentais”, como por exemplo na taxa de desemprego, entre outros factores económicos. “Esta oportunidade não pode ser perdida, esta é uma avaliação muito importante no sentido de o país mudar a sua trajetória de consolidação. Neste momento, a consolidação não está a ser feita do modo previsto, pendem sobre os portugueses pesados sacrifícios, em situação de pré-ruptura social, a nossa economia continua a cair. Esta realidade tem de obrigar a alterar o memorando, é o memorando que tem de se adaptar à realidade”, afirmou.

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Cintia Costa

O meu nome é Cíntia Tomaz da Costa, frequento o curso Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O meu objectivo profissional é perseguir uma carreira no jornalismo. Gosto de escrever e ler, mas tenho interesses noutras áreas, como música, dança e desporto, nomeadamente voleibol. Gosto de viajar e conhecer novos lugares, novas pessoas e novos costumes.

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