Crise aumenta o número de mulheres a sustentar a casa

Written by  //  13 de Fevereiro de 2013  //  Por Perto  //  No comments

mulherA crise em sectores mais direccionados para o trabalho masculino tem levado a que sejam as mulheres a meter o pão na mesa. A conclusão é da socióloga Sofia Aboim que afirma ainda que o facto de os homens estarem desempregados não faz com que ajudem mais nas tarefas domésticas.

Os papéis parecem estar a inverter-se, pois se antigamente era o homem que sustentava a casa, hoje em dia a mulher está a tornar-se o verdadeiro “ganha-pão” das famílias portuguesas. No entanto, os homens não estão a ajudar mais em casa pois, segundo a socióloga Sofia Aboim, embora desempregados continuam a perder o mesmo tempo que perdiam anteriormente em tarefas domésticas. Estas conclusões surgem de um estudo de Sofia Aboim com a também socióloga Karin Wall, onde foi possível analisar dados do Inquérito Social Europeu (ESS, European Social Survey), relativamente ao ano de 2010.

Segundo os dados, a percentagem de famílias em que as mulheres são o verdadeiro sustento da casa subiu de dois para 16,5 por cento em Portugal. Este valor aproxima-se bastante do dos casais em que o homem é o único elemento a trabalhar (17,9 por cento).

As sociólogas avançam que a “afirmação do modelo de ganha-pão feminino” é maior em pessoas com baixos níveis de escolaridade e nas faixas etárias mais velhas, principalmente entre os 51 e os 65 anos. Já o modelo de ganha-pão masculino, ao qual corresponde a percentagem de 17,9 por cento, não apresenta alterações importantes desde 2002, altura em que se registou 17 por cento.

Trata-se de “uma alteração drástica muito rápida”, que “não resulta de uma mudança desejada, mas de constrangimentos vários criados pela crise”, diz Sofia Aboim. Para a socióloga, “a falência de sectores tradicionalmente ligados ao trabalho masculino, como a indústria e a construção civil” pode ajudar a justificar esta alteração.

Sofia Aboim relatou ainda que, mesmo fora do mercado, os homens não colaboram mais nas tarefas domésticas, ficando estas a cargo das mulheres. Os homens continuam a dedicar menos de cinco horas à casa, enquanto as mulheres gastam 21,8 horas. Para a psicóloga, estes dados demonstram que as alterações actuais não são as desejadas por parte do sexo masculino, sendo “encaradas com desconforto, principalmente por parte dos homens mais velhos”. “São os homens em casais de ‘duplo emprego a tempo inteiro’ (isto é, em que ambos trabalham) que mais investem no trabalho doméstico (quase seis horas) e os homens em casais em que ambos estão fora do mercado de trabalho os que menos investem (2,9 horas em média por semana)”, explicam as sociólogas.

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Florbela Lourenço

Vinda do interior do país, estudo Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Gosto de ler, escrever e observar o que me rodeia. Tenho como objectivo trabalhar na área do jornalismo, sobretudo em televisão e/ou imprensa.

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