Siga a entrevista a José Sócrates minuto a minuto

Written by  //  27 de Março de 2013  //  Por Perto  //  No comments

jose socratesJosé Sócrates vai quebrar o silêncio que assumiu desde que foi derrotado nas eleições legislativas de Junho de 2011. O ex-Primeiro-ministro está de regresso a Portugal para ser comentador na RTP e dá, esta quarta-feira, uma entrevista ao canal público. Acompanhe tudo, minuto a minuto, no DezInteressante.

“Essas campanhas na imprensa são campanhas ignóbeis.”

“Nunca tive acções, nunca tive off-shores. Pedi um empréstimo para viver um ano para Paris.”

“Ao longo destes dois anos reparei que um jornal, o Correio da Manhã, fez uma campanha ignóbil dizendo que eu tinha uma vida de luxo, insinuando que eu teria um comportamento de que se deveria duvidar.”

“Um dos problemas deste Governo é ter matado qualquer expectativa.”

“O Governo deve alterar o discurso.”

“Diz tudo de um Governo se a sua principal lei, o Orçamento de Estado, for chumbada duas vezes pelo Tribunal Constitucional.”

“Tenho estado muito afastado da vida política. Este Governo tem um desgaste, infelizmente, e não vejo condições para que desenvolva o que é preciso fazer para a autonomia do país.”

BPN: “Na altura a informação que dispunha era nacionalizar o banco.”

“Há muitos erros. Nunca devia ter formado um Governo minoritário.”

“Os encargos futuros com PPP a partir de 2012 são menores do que aqueles que recebi.”

“Existem 22 PPP rodoviárias, lancei oito.”

“Quanto às PPP (Parcerias Público-Privadas) vai aí uma história muito mal contada.”

“Não reconheço que tive uma política despesista.”

“O aumento do défice em 2009 foi em linha com o resto da Europa.”

“Entre 2005 e 2008 fizemos uma governação que foi responsável pelo maior crescimento económico da década. Baixámos o défice, mantivemos o crescimento económico e fizemos mudanças estruturas na tecnologia.”

“Portugal e a Europa responderam à crise de 2009 aumentando a protecção social das famílias.”

“Ninguém adivinhou esta crise.”

“A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, achou bem o aumento da Função Pública.”

“Em 2009 tínhamos uma doutrina na Europa: temos de fazer face à crise. A decisão de aumentar os funcionários públicos é de Setembro de 2008, em que tínhamos um aumento exponencial dos preços da alimentação, do petróleo, e foi nessa circunstância que achei que devíamos aumentar os funcionários públicos de acordo com a inflação que esperávamos.”

“Em 2012 a austeridade em Portugal foi maior devido às medidas do Governo.”

“Entre 2005 e 2008 a dívida pública em Portugal subiu cerca de cinco pontos. Entre 2008 e 2010, em que o Governo me acusa de comandar um Governo excessivamente despesista, a dívida pública subiu 20 pontos”.

“Entre 2008 e 2010 a nossa dívida pública subiu 22 pontos. Em 2012 subiu quase 30.”

“O Governo meteu-se num buraco e acha que a única maneira de sair desse buraco é continuar a escavar.”

“O país tem urgente necessidade de parar com a austeridade. É um erro económico e político muito sério, sem nenhuma preocupação com o crescimento económico.”

“A decisão de alterar o memorando foi do Governo, que a tomou logo de início.”

“No momento inicial não estava o aumento do IVA para 23 por cento.”

“Quando se altera de forma tão significativa o memorando, o memorando que daí resulta nada tem a ver com o anterior.”

“No memorando inicial não estava nem o corte do 13º mês, nem o corte do subsídio de férias.”

“O Governo, por sua iniciativa, alterou esse memorando.”

“Como é que eles podem dizer que o memorando estava mal desenhado se nunca o aplicaram?”

“O que o Governo fez nestes dois anos foi aplicar o dobro da austeridade que estava no memorando inicial.”

“As consequências da crise política de 2011 estão à vista.”

“O PSD dizia que bastava mudar o Primeiro-ministro para voltar ao céu azul.”

“Não deveríamos fazer tudo para não pedir ajuda externa? Nunca, em matéria de política europeia, os dois partidos se tinham desavindo. A consequência disso é esta.”

“Certezas ninguém tem que o PEC 4 resultaria. Mas não teríamos o dever moral de tentar?”

“O momento em que tomei consciência disso (de que era necessário pedir ajuda externa) foi precisamente no almoço desse dia, com responsáveis internacionais.”

“Estávamos a construir uma solução que não nos levasse à ajuda externa.”

“A oposição achava que não havia problema nenhum em governar com ajuda externa.”

“Hoje olho para trás e digo-lhe que, lamentavelmente, muitas das instituições portuguesas baixavam os braços enquanto eu continuava a lutar para não termos ajuda externa.”

“O chumbo do PEC 4 conduziu o país a um pedido de ajuda externa.”

“Entre 2008 e 2011 passámos por momentos muito duros.”

“As declarações do Ministro das Finanças têm sido muito mal contextualizadas.”

“Com o anterior Governo havia limites para os sacrifícios, com este já não há limites.”

“O senhor PR esteve na origem desta solução política, está politicamente vinculado.”

“O senhor PR fez tudo para haver uma crise política. Não fez nada para evitar a queda do meu Governo.”

“Não reconheço no senhor PR autoridade moral para dar lições.”

“O senhor PR teve conhecimento do PEC 4 quando os portugueses tiveram.”

“O senhor PR assumiu-se como um opositor ao Governo.”

“A execução orçamental de 2011 estava a correr bem.”

“Não reconheço no senhor PR nenhuma autoridade moral para dar lições de solidariedade institucional.”

“Acho extraordinário esse comportamento do Presidente da República (PR), diz muito da atitude do PR.”

“Com os anteriores PEC’s não precisámos de recorrer a nenhuma ajuda externa. O chumbo do PEC 4 é que conduziu Portugal ao pedido de ajuda externa. Eu tinha uma solução que foi aprovada em Bruxelas e chumbada aqui, no nosso país.”

“Isso é o segundo embuste: a ideia de que foi o anterior Governo que obrigou o país a pedir ajuda externa. O que levou ao pedido de ajuda externa foi a crise política e o chumbo do PEC 4.”

“A minha governação pretendeu enfrentar essa crise.”

“Foi a crise que levou à dívida e ao défice e não o contrário.”

“Durante dois anos, entre 2008 e 2010, procurei enfrentar a segunda fase da crise económica internacional, mantendo uma estratégia de rigor orçamental mas também apostando no investimento económico.”

“Passei a minha governação a atrair investimento estrangeiro. Atraí a IKEA, a Pescanova…”

“Primeio embuste: a ideia que em 2011 os problemas do país eram da responsabilidade do Governo”

“Eu aceito as responsabilidades que tenho, não aquelas que os meus adversários me querem atribuir.”

“Todos os políticos cometem erros. Só não comete erros quem não faz nada.”

“O convite foi feito pela RTP, demorámos algumas semanas a chegar a acordo.”

“Vi sempre a direita a recorrer àquilo que há de pior na política: ataque pessoal, insultos…”

“A direita nunca foi capaz de combater de forma nobre comigo.”

“A atitude do PS deixou que os meus opositores me atacassem.”

“Compreendo muito bem a atitude do Partido Socialista. O que é normal é que os líderes políticos, quando são eleitos, olhem para o futuro. A atitude do Partido Socialista não foi diferente disso.”

“Não estou bem comigo próprio remetendo-me a um silêncio.”

“Há políticos que me acusam de tudo mas acham que não tenho direito a responder.”

“Fico muito perplexo quando vejo que políticos acham completamente normal que ex-líderes do PSD tenham os seus espaços televisivos onde fazem o seu livre comentário.”

“Quero afirmar os meus direitos de cidadão, contribuir para a diversidade de pontos de vista.”

“Não tenho plano de ser candidato a Belém nem a cargo político nenhum.”

“A minha única preocupação é participar para o debate político.”

“Não tenho nenhum plano para regressar à vida política activa. Desejei as maiores felicidades ao Governo e remeti-me a um silêncio que podia contribuir para que o Governo pudesse dirigir a política sem nenhum constrangimento.”

“Entendi que era o momento de falar. Chegou a hora de dar também o meu ponto de vista, as minhas razões, sobre a actualidade do país.”

“Há um tempo para tudo na vida. Este é o tempo para tomar a palavra. O que pretendo é fazer apenas isto: tomar a palavra.”

About the Author

Cátia Carmo

Praticante assídua de vários tipos de desporto e amante da escrita, desde os meus 11 anos que decidi lutar para conjugar, profissionalmente, estas minhas duas paixões através de uma só: o jornalismo. Agora estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa vejo, aos poucos, o sonho a tornar-se realidade.

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