Áudio: “Não me importo que descarreguem o filme da internet”

Written by  //  1 de Abril de 2013  //  Dez.Conversas  //  No comments

Alexandre Cebrian ValenteO produtor Alexandre Valente é o mentor de êxitos de bilheteira em Portugal como ‘O Crime do Padre Amaro’. Numa altura em que vê o seu país eclipsado decidiu fazer ‘Eclipse em Portugal’, um filme de humor negro, e revelou ao DezInteressante que não se importa que o descarreguem da internet: “quero é que as pessoas vejam o filme”.

 

Oiça a entrevista aqui (peça em colaboração com a Rádio Ribatejo):

O produtor português Alexandre Cebrian Valente, autor de alguns dos maiores sucessos de sempre na bilheteira portuguesa, decidiu inovar e apostar num filme de humor negro para jovens. Inspirou-se no crime de um jovem que matou os pais em Ílhavo no ano de 1999, juntou alguns dos melhores actores portugueses, apostou noutros que estão a iniciar a carreira e escolheu a cidade de Santarém como palco para se fazer magia.

Foi com “O Crime do Padre Amaro” que começou a ganhar o seu próprio espaço no cinema português. O êxito foi inegável e em 2005 foi o título de maior sucesso nas salas nacionais. Com “Eclipse em Portugal” decidiu investir numa imagem jovem alternativa e não sabe ainda como as pessoas vão reagir a esta mudança. “Cada caso é um caso, cada projecto é um projecto, se as pessoas estivessem sempre nessa responsabilidade e obrigação de corresponder às expectativas não se faziam obras diferentes. Neste filme não vês sexo, nada daquilo que usei nos outros”, disse Alexandre Valente.

O humor negro é a característica principal, levando mesmo Alexandre a afirmar que “é mais um filme de estupidez avulso, como eu chamo. É uma comédia como há muito tempo não se faz em Portugal: inteligente”.

Numa altura em que se fecham os sites de downloads e partilha de filmes em Portugal, Alexandre Cebrian Valente disse que não se importa se as pessoas não quiserem ir ao cinema gastar dinheiro com a sua obra. “Por mim podem ir ao cinema, descarregar na internet ou ver no vídeo on demand, quero é que as pessoas vejam o filme. Não obrigo ninguém a ir vê-lo”, sublinhou o produtor português.

O crime original da história ocorreu em Ílhavo, mas foi Santarém a cidade escolhida para as gravações e até os habitantes da cidade ribatejana puderam ter uma participação activa no filme. “Tento acreditar na utopia de internacionalizar este filme. Santarém é uma cidade portuguesa muito carismática, é um filme que eu quero que as pessoas lá fora, quando virem, identifiquem como sendo Portugal. Dentro deste tipo de cidades há Évora, Santarém e Guimarães. Pela parte logística da coisa, esta cidade foi a melhor opção porque temos um património de arquitectura fantástico”, explicou o produtor.

O nome escolhido para a longa-metragem, “Eclipse em Portugal”, pode vir a ser confundido com a saga de vampiros “Crepúsculo”, que também tem um filme com o nome de “Eclipse”. Mas isso não preocupa Alexandre Valente. “A 12 de Agosto de 1999 o verdadeiro parricida deste filme cometeu este crime e foi numa noite de eclipse. Portugal está eclipsado independentemente de haver coisas flutuantes e sagas que utilizem o nome de ‘eclipse’, mal seria se não usássemos nomes repetidamente. Aqui é o ‘Eclipse em Portugal’ e é único”, justificou o autor de “O Crime do Padre Amaro”.

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Cátia Carmo

Praticante assídua de vários tipos de desporto e amante da escrita, desde os meus 11 anos que decidi lutar para conjugar, profissionalmente, estas minhas duas paixões através de uma só: o jornalismo. Agora estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa vejo, aos poucos, o sonho a tornar-se realidade.

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