“Não podia ter esperado uma estreia melhor no cinema”

Written by  //  2 de Abril de 2013  //  Dez.Conversas  //  No comments

Pedro FernandesO homem que toma conta das quintas-feiras no programa “5 para a Meia-Noite” da RTP1 já se estreou no cinema com “Eclipse em Portugal”. Pedro Fernandes vai dar vida a Tó-Quim, mas avisou que “não é uma personagem de quem se goste muito, porque ele mata o pai e a mãe à facada e acaba por se vingar de toda a gente”.

DezInteressante (Dez): Como foi a estreia a fazer cinema?
Pedro Fernandes (PF): Tem sido muito gratificante estrear-me no cinema logo com actores como o Ricardo Carriço, Fernanda Serrano, Sofia Ribeiro, Sandra Cóias, José Eduardo e tantos outros. Este filme está recheado de tantos e tão bons actores que não podia ter esperado uma estreia melhor. Só espero estar ao nível deles e vocês vão dizer-me isso na estreia.

Dez: O que foi mais difícil?
PF: Foge de tudo o que tenho feito até agora. A não ser quando fazia teatro universitário, isso já foi há muito tempo atrás. Ainda fiz algumas personagens mais nesta onda, mas como o que tenho feito desde há uns anos é o humor onde tudo é exagerado, os gestos, as expressões… Agora tive de me contar. Mexia muito as sobrancelhas, por exemplo, era uma coisa da qual eu não tinha noção, o Alexandre Valente chamou-me a atenção para eu ter mais contenção de expressões e isso foi um exercício muito interessante de se fazer. No cinema, como é tudo em grande, nota-se tudo e às vezes o mais é menos. Tive de aprender a conter-me para dar essa veracidade à personagem.

Dez: Quem é o Tó-Quim?
PF: Não é uma personagem de quem se goste muito, porque ele mata o pai e a mãe à facada e acaba por se vingar de toda a gente. Da maneira como o filme está escrito e criado acabou por ser divertido, a personagem tem várias facetas: tem a faceta do ingénuo, que está na escola, não tem amigos e apaixona-se pela Anita, que é a Sofia Ribeiro; depois revela-se como tendo uma espécie de poder dentro dele no ensaio da banda, em que ele extravasa tudo, manda cá para fora a raiva toda que tem; há a parte em que ele está na prisão e quer transparecer que é um menino do coro, uma pessoa reconvertida a Deus, que fez a paz com todo o mundo e depois quando sai há outra vez a explosão de raiva e a vontade de se vingar de toda a gente. É uma personagem com muitas oscilações e isso é muito interessante de criar.

Pedro Fernandes 2

Dez: É um filme de humor negro. Houve situações caricatas durante as gravações?
PF: O pior foi o frio extremo que passámos em Santarém. Nunca pensei que fosse uma cidade tão fria à noite. Tivemos uma cena na Fonte das Figueiras à chuva, outra nas Portas do Sol com um frio de rachar, nevoeiro e alguma chuva, isso foi o mais complicado. O filme está cheio de situações caricatas, não vivi as piores, mas a Sandra Cóias, por exemplo, foi enterrada viva no rio. Teve de estar de pernas para o ar e com a cabeça debaixo de água durante uma hora e meia, eles sofreram bem mais. Eu estive no presídio, um sítio um pouco inóspito para se viver e gravar.

Tive de fingir que sabia tocar guitarra, isso para mim já é uma cena caricata porque não sei tocar nada, nem campainhas de porta. Tivemos uma preciosa ajuda do Ricardo, do conservatório de Santarém, que me esteve a ensinar a fingir tocar guitarra, eu não conseguia tocar mesmo, tínhamos de acertar os acordes com a música e no mesmo ritmo. Agora, depois das aulas, não sei tocar nada, continuo a mesma nódoa de sempre, um zero à esquerda, nem quero, é demasiado difícil para mim.

Dez: Preparado para aparecer numa tela de cinema?
PF: Não sei se estou porque tenho imensas marcas do acne, de quando era mais puto, e vai-se ver tudo. Não vou querer ver. E tenho também uma cena no duche, a água estava fria e não sei o que ele filmou. Não me vai favorecer nada.

Dez: Vais adoptar o penteado da personagem?
PF: Agora estou a gostar de me ver nas fotografias. Se calhar vou manter isto, não sei.

Dez: Já há novos projectos?
PF: O “5 para a Meia-Noite” continua até Julho. É possível que paremos um bocadinho e voltemos até ao fim do ano. Há também um convite para uma peça de teatro, um monólogo, que será uma extensão desta minha outra carreira de actor que está a nascer aqui ou não, depende do resultado do filme, se for um flop ou um sucesso, mas também estou entusiasmado com a possibilidade de fazer teatro até ao fim do ano.

About the Author

Cátia Carmo

Praticante assídua de vários tipos de desporto e amante da escrita, desde os meus 11 anos que decidi lutar para conjugar, profissionalmente, estas minhas duas paixões através de uma só: o jornalismo. Agora estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa vejo, aos poucos, o sonho a tornar-se realidade.

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