“Vão ver um género de filme que em Portugal não se faz”

Written by  //  4 de Abril de 2013  //  Dez.Conversas  //  No comments

FFEstá em estúdio a preparar o quarto álbum de originais mas não abandona a representação. Depois de ter surpreendido o país no programa de imitações da TVI “A Tua Cara Não Me É Estranha”, FF também se estreou no cinema com “Eclipse em Portugal”.

DezInteressante (Dez): Como foi a estreia a fazer cinema?
Fernando Fernandes (FF): Apesar de ter envolvido muitos nervos e ansiedade como qualquer projecto que é uma estreia, correu muito bem. Estou muito feliz, estou a desafiar os meus limites. Já não faço televisão há algum tempo e assustou-me bastante entrar para este projecto. Chega agora ao final esta estreia e portanto também é com alguma saudade que acabo por me despedir destas pessoas. Tenho esperança de vir novamente a encontra-las em próximos trabalhos e, se assim não for, pelo menos na estreia do filme.

Dez: O filme foi totalmente filmado em Santarém. Foi uma boa escolha?
FF: Adorei Santarém. Não conhecia, penso que nem sequer vim cá tocar e tem sítios lindíssimos: as Portas do Sol e aquela zona lá em baixo do rio Tejo. Santarém é uma cidade histórica, é muito cinematográfica, está colocada a nível geográfico de forma muito engraçada porque acaba por ter aquelas ruelas que te permitem ter uma vista incrível sobre a cidade e não foi por acaso que o Alexandre a escolheu para filmar.

Dez: É um filme de humor negro. Houve situações caricatas durante as gravações?
FF: Vivemos momentos muito engraçados durante as gravações. Gravámos uma cena no rio divertidíssima sobre a qual ainda não vos posso adiantar muito, mas a cena envolve-me a mim, à Sofia e à Sandra Cóias. É muito engraçada, uma cena supostamente um bocadinho macabra, mas ao mesmo tempo com bastante humor, aliás acho que essa vai ser uma das características do filme. Acabou por se tornar uma cena muito divertida e nós pensávamos que ia ser complicada.

Dez: Quais foram as maiores dificuldades?
FF: Esta personagem não tem nada a ver comigo. O Alex é um jovem apaixonado pela Anita, a personagem feita pela Sofia Ribeiro, e acaba por ser o seu escravo pessoal porque tem uma paixão por ela, acredita em tudo o que ela lhe diz. Vai envolver-se em coisas que à partida nada levaria a crer que ele defendesse ou acreditasse. Apesar de ser, supostamente, um advogado, é um advogado muito obscuro, é ele quem mais infringe a lei, não tem nada a ver comigo, não tem sequer a minha idade. Numa fase jovem no filme representa os 18/19 anos, mas na fase presente do filme se calhar tem mais uns anos do que eu [25 anos]. É um jovem que tem de ter algum distúrbio para conseguir fazer as coisas que vai fazendo ao longo do filme.

Dez: Como se preparou?
FF: Não gosto que fique um processo muito solitário, ou seja, não sou muito aquele género de artistas que recebe algo para fazer, que se fecha durante uma semana e depois está preparado para fazer o seu trabalho. Preciso sempre de ter pessoas nas quais confio que me dêem também alguma paz, calma, uma visão de fora, preciso disso. Não sei se é bom ou mau. Há alturas em que tens de pensar: “bem, já ouvi todos os lados, agora deixa-me lá decidir eu”, tem de ser assim, correndo grandes riscos, mas é bom. Este primeiro desafio foi pacífico, é uma personagem secundária que me deu alguma margem para poder presenciar o trabalho dos outros actores, aprender, tentar perceber como funciona.

João

Dez: Teve de tocar baixo, um instrumento que não domina…
FF: Foi giro. Pedi ajuda ao Pedro Martinho, o baixista da minha banda, e foi uma ajuda preciosa. Nem sequer sabia como posicionar mãos e colocar o baixo. Depois tem diferentes formas de se tocar, neste caso nós temos uma banda que representa a original, os Agonizing Terror, uma banda de death metal, e isso exige uma posição diferente. As bandas rock têm uma forma de tocar, as de death detal têm outra, foi engraçado perceber essas diferenças e tentar aplica-las um bocadinho. Não deixa de ser fingir, fazer de conta, porque na verdade não toco baixo.

Dez: Preparado para aparecer numa tela de cinema?
FF: Não, como nunca estou preparado para me ver em lado nenhum, para me ouvir, sou sempre bastante crítico e acho sempre que podia fazer melhor. Não acho que isso seja mau, é bom, mas custa-me sempre. Vai-me custar habituar. Lembro-me que quando estreei em televisão, que é a referência mais próxima que posso ter do cinema, não gostei de me ver, detestei. É o que vai acontecer, vou detestar ver-me, espero é conseguir ver para além disso, ou seja, ter uma opinião um bocadinho imparcial até mesmo sobre mim.

Dez: Porque devem as pessoas ir ao cinema ver o filme?
FF: Vão ver um género de filme que em Portugal não se faz, de todo, isso para mim já é uma vantagem e algo vencedor no filme. Depois porque vão-se divertir bastante, ao mesmo tempo ver o lado cru do ser humano, baseado em muitos factos reais e isso vai fazer as pessoas pensar. Não está feito de uma forma óbvia, o Alexandre Valente conseguiu dar a esta história uma roupagem fora do vulgar para aquilo que se esperava para este tipo de filme.

Dez: Já há novos projectos?
FF: Estou em estúdio, é a única coisa que posso dizer para já. Ainda está tudo muito no início, numa fase que amo: compor, reunir material, colaborar com determinadas pessoas que admiro e é algo que está já a acontecer a nível de criação, mas que não tem data de estreia propriamente definida. Para já estão-se a marcar concertos e é esse o objectivo deste ano, fazer um bocadinho a ponte entre aquilo que aconteceu o ano passado e aquilo que estará para vir. O meu foco vai ser, acima de tudo, estrada e música.

About the Author

Cátia Carmo

Praticante assídua de vários tipos de desporto e amante da escrita, desde os meus 11 anos que decidi lutar para conjugar, profissionalmente, estas minhas duas paixões através de uma só: o jornalismo. Agora estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa vejo, aos poucos, o sonho a tornar-se realidade.

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