Egipto declara estado de emergência

Written by  //  14 de Agosto de 2013  //  De Longe  //  No comments

egiptoO Egipto declarou esta quarta-feira estado de emergência durante um mês. Esta é a resposta à violência que se vive no país há já seis semanas.

A violência no Egipto, que começou devido à repressão de manifestações de apoio ao presidente Mohamed Morsi, agora deposto, levou a que fosse declarado nesta quarta-feira o estado de emergência no país, com a duração de um mês. A decisão é justificada pelo “perigo” que ameaça “a segurança e a ordem nos territórios do país”, considerando que as mais recentes informações dão conta de mais de uma centena de pessoas mortas nas últimas horas no Cairo, e relatam-se notícias de confrontos em Alexandria e em várias cidades do Delta do Nilo.

O Presidente interino, Adly Mansour, nomeado pelos militares após a destituição e a detenção de Mohamed Morsi no início de Julho, “atribuiu a missão às forças armadas, em cooperação com a polícia, de tomar todas as medidas necessárias para manter a segurança e a ordem, bem como para proteger os bens públicos e privados e as vidas dos cidadãos”, como se lia no texto. “A segurança e a ordem na nação estão em perigo devido aos actos de sabotagem deliberados, ataques que visam edifícios públicos e privados e a perda de vidas humanas, actos perpetrados por grupos extremistas”, referiu ainda a presidência egípcia.

O estado de emergência teve início às 16h00 no Egipto (15h00 em Lisboa), após um comunicado da presidência egípcia transmitido pela televisão estatal. As autoridades impuseram ainda um recolher obrigatório entre as 19h00 e as 6h00, nas principais cidades do país, o que inclui o Cairo e 11 das 27 províncias egípcias.

Segundo um balanço oficial, a vaga de violência já causou 149 mortes em todo o país. Um dos porta-vozes do Ministério da Saúde egípcio, Mohamed Fathala, em declarações à agência estatal egípcia Mena afirmou que os confrontos registados em várias províncias do país fizeram pelo menos 1 403 feridos. Disse ainda que só no Cairo registam-se pelo menos 49 vítimas mortais.

No entanto, as informações são contraditórias, e a Irmandade Muçulmana, movimento islamita de que Mohamed Morsi era dirigente, diz que a polícia matou mais de dois mil manifestantes. Existem ainda outros números indicados por fontes no terreno, como é o caso de um jornalista da agência France Press, que relatou na praça Rabaa al-Adawiya um total de 124 cadáveres nas três morgues improvisadas. Entre os mortos há pelo menos dois jornalistas, um dos quais um operador de câmara que trabalhava para a Sky News. A Irmandade Muçulmana adianta também que a filha de Mohammed al-Beltagui, um dos seus principais dirigentes e dos poucos que ainda não foi detido, foi morta durante a manhã nesta praça, com um tiro no peito.

O actual clima de tensão no Egipto iniciou-se a 30 de Junho, quando diversos sectores da oposição promoveram grandes protestos exigindo a deposição de Mohamed Morsi, eleito nas primeiras eleições livres no país, em Junho de 2012. A 3 de Julho o Presidente foi deposto e detido pelos militares, e foi formado um Governo de transição entre os protestos das correntes islamitas que exigem o seu regresso ao poder. Após o falhanço das tentativas de mediação Internacionais, o Governo interino nomeado pelo exército anunciou que, terminado o período do Ramadão, o que ocorreu no passado fim-de-semana, iria acabar com as manifestações pró-Morsi, operação que se iniciou nesta quarta-feira. Enquanto isso, o Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, que participava no governo interino pós-derrube do Presidente Mohamed Morsi, apresentou a sua demissão, dizendo que não podia continuar e ser “responsável por um banho de sangue”.

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Cintia Costa

O meu nome é Cíntia Tomaz da Costa, frequento o curso Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O meu objectivo profissional é perseguir uma carreira no jornalismo. Gosto de escrever e ler, mas tenho interesses noutras áreas, como música, dança e desporto, nomeadamente voleibol. Gosto de viajar e conhecer novos lugares, novas pessoas e novos costumes.

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