O que separa PS e PSD nestas eleições no último debate para as legislativas

Written by  //  20 de Maio de 2011  //  Especial Eleições Antecipadas, Por Perto  //  No comments

José Sócrates e Pedro Passos Coelho mostraram o que os separa. O líder do PS acusa o PSD de querer terminar com o Serviço Nacional de Saúde tal como o conhecemos hoje. Já o líder laranja pede responsabilização a José Sócrates. Os dois fecharam os debates televisivos para as legislativas, a pouco mais de 24h do arranque oficial da campanha eleitoral.

José Sócrates arrancou o debate com a proposta de revisão constitucional do PSD e acusou Pedro Passos Coelho de ameaçar o Serviço Nacional de Saúde. O Secretário-geral do PS recordou que o presidente do maior partido da oposição defendeu recentemente os “co-pagamentos” e o fim do “carácter geral” do SNS.

Pedro Passos Coelho respondeu a criticar José Sócrates, defendendo que o primeiro-ministro demissionário apenas discute as medidas do PSD e não se responsabiliza pelas medidas que tomou. O presidente social-democrata garantiu que, com o seu partido, a saúde pública vai-se manter. “A saúde não fica em perigo com a eleição de Pedro Passos Coelho”, garantiu o presidente laranja, acrescentando que “os co-pagamentos existem na sociedade portuguesa”.

José Sócrates levou ainda para o debate um relatório e contas da empresa em que Pedro Passos Coelho é administrador, onde o líder do PSD afirma que Portugal teve um bom comportamento em 2009. O secretário-geral do PS acusou o opositor de agora, como presidente social-democrata, dizer outra coisa. Pedro Passos Coelho sublinhou que Portugal não se comportou bem e recorda que Portugal é o único país que enfrenta uma recessão. José Sócrates acusa o social-democrata de entrar em contradição.

Sobre a descida da Taxa Social Única, José Sócrates voltou a dizer que o memorando de entendimento apenas diz que é preciso estudar o assunto, antes de apresentar uma proposta concreta. No entanto, apenas avança que defende uma descida “muito moderada”. Pedro Passos Coelho sublinhou que “descer meio por cento ou um por cento não tem impacto” e que a quebra do imposto deve ser de quatro pontos percentuais, durante a legislatura. Não dizendo prazos, o líder social-democrata acrescenta que se “for possível ir mais longe”, o partido está disponível para isso.

Pedro Passos Coelho criticou a falta de responsabilização de José Sócrates pela situação do país, enquanto que o primeiro-ministro demissionário voltou a culpar o líder do PSD pela crise actual. Passos voltou à critica e acrescentou que Sócrates “não pediu ajuda mais cedo porque estava mais preocupado com a sua imagem” e não com a situação de Portugal.

O presidente do PSD recordou que antes de se saber o défice de 2010 tinha previsto que o valor ficaria nos nove por cento, recordando que os números vieram provar essa ideia. José Sócrates respondeu a dizer que o défice ficou nos 6,8 por cento e que esse valor superior deve-se apenas “à nova metodologia”, que obrigou à introdução nas contas dos custos do BPN, BPP e outras empresas de transportes públicos.

No final, Pedro Passos Coelho voltou a sublinhar que só vai ser primeiro-ministro se o “PSD for o partido mais votado”. Já José Sócrates defendeu que o líder do partido vencedor é quem deve ser chamado a formar Governo, não respondendo a um cenário de um partido com minoria sem outros apoios no Parlamento.

A campanha eleitoral arranca oficialmente no domingo e os portugueses são chamados às urnas no próximo dia 5 de Junho.

Com Sabrina Aid

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Diogo Carreira

Sempre sem juízo, numa luta constante pela liberdade de imprensa e de expressão. Jornalista profissional desde 2008, mas com o bichinho da escrita e da imagem desde os gloriosos anos da primária. O gravador em mini K7 transformou-se num iPhone, a máquina fotográfica de rolo é agora uma digital. O papel e caneta? Esses são os mesmos.

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