“A nossa geração está muito melhor preparada a nível de entendimentos”

Numa altura em que a taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos chega aos 27,8 por cento, as juventudes partidárias debatem ideias para encontrar soluções. Um encontro que mostrou que a nova geração de políticos está mais próxima, apesar de todas as diferenças.

Diogo Carreira e Diana Rodrigues

A precariedade nas relações laborais abriu o debate entre os jovens políticos que se reuniram no ISCSP. Os representantes das juventudes dos cinco partidos com presença no Parlamento sentaram-se na mesma sala para encontrar respostas.

Pedro Alves, Secretário-Geral da JS, Duarte Marques, Presidente da JSD, Daniel Albino, pela Juventude Popular, Mariana Mortágua, pelo Bloco de Esquerda e Cátia Lapeiro, da CDU, mostraram as ideias dos partidos e os caminhos que cada um defende.

A discussão abordou temas como a taxa de desemprego nos mais novos, a qualificação das novas gerações, os falsos recibos verdes e o trabalho temporário. Apesar das diferenças claras nas soluções apontadas, um ponto parece comum aos cinco: a precariedade é um problema chave e uma prioridade.

Pedro Alves destaca a necessidade de articulação entre o Ensino Superior e o mercado de trabalho, para que “cada um saiba para aquilo que vai”. Já para o presidente da JSD é necessário acabar mesmo com alguns cursos, de forma a reestruturar o Ensino Superior, de forma a que os recém-formados se adeqúem às necessidades do mercado de trabalho. “Não podemos ter 30 cursos de história, porque não há emprego”, concretizou Duarte Marques. Daniel Albino também concordou com a necessidade de reestruturar os cursos, dando o exemplo a área de Direito, curso que frequenta.

Esta questão não foi consensual. Mariana Mortágua, representante do BE, afirmou que “ não se acaba com a precariedade fechando cursos”. A mesma linha seguiu a representante da juventude da CDU, Cátia Lapeiro, ao lembrar que existem muitas necessidades que não estão a ser cobertas devido à falta de empregabilidade. Por exemplo, a necessidade de abrir mais vagas para psicólogos nas escolas. Por fim, a representante da CDU abordou a necessidade de investir no “aparelho de produção nacional”.

Numa altura em que os partidos políticos mostram dificuldades em entender-se, parece que os jovens,de alguma forma, chegariam mais facilmente a acordos. Afinal, se todos sofrem os mesmo problemas e se não encontrassem consenso para os resolver, como irão os partidos e os líderes políticos fazê-lo?

Daniel Albino, representante da Juventude Popular, afirmou que “a nossa geração está muito melhor preparada a nível de entendimentos”, mostrando assim confiança na capacidade de encontrar pontos comuns nas variadas políticas. O secretário-geral adjunto da juventude do CDS acredita que isto também se deve ao distanciamento ideológico do 25 de Abril. Para Mariana Mortágua é exactamente esse espírito que faz falta à geração actual. Pedro Alves, líder da JS, lembrou também que “a ausência de pressão facilita consensos”, mostrando assim que as juventudes partidárias poderão ter um papel importante na formulação de pensamento e medidas comuns.

Nenhum admitiu a vontade de ser líder do partido no futuro e muito menos de um dia concorrer a Primeiro-ministro. O presidente da JSD prefere sublinhar o papel que estes grupos têm na sociedade, destacando “a voz dos mais jovens junto do PSD”. No entanto, o painel convergiu no apelo à participação cívica dos cidadãos, principalmente dos jovens. O primeiro passo começa já no próximo dia 5 de Junho, quando o apelo é feito para todos irem às urnas.

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